quarta-feira, dezembro 29, 2010

Mundo novo


Imagine um mundo novo. Completamente diferente do que é hoje. Um mundo onde Cristo não tivesse sido crucificado.

Difícil imaginar? Também pensava assim. Mas acontece que tudo parte de uma reunião de fatos. Jesus realmente mudou o mundo em que vivemos. A maioria acha que foi para melhor, outros são indiferentes... Mas temos que ver todos os lados e as possibilidades. Não pretendo fazer um texto de cunho herege nem ateu, nem mesmo um exaltando a religiosidade, pois creio que cada um tem sua crença, e não estou aqui para forçar a crença de ninguém, apenas para apresentar fatos. Portanto, mesmo aqueles que não concordarem com este texto, peço que tenham um pouco de bom senso e avaliar o lado de todos os que possam lê-lo.

Jesus Cristo supostamente nasceu, viveu e morreu no período em que o Império Romano estava no auge. Este Império sempre foi conhecido como conquistador, dominador e impiedoso, e a dominação foi rápida. Em mais de um milênio de Império, este se extendia por praticamente toda a Europa, o norte da África e uma boa parte do Oriente Médio. Nesta época do nascimento de Cristo, o Império Romano tinha 5 milhões de habitantes, um número exorbitante para a condição daquela época, isso sem contar o número de escravos (que não eram considerados cidadãos), que era bem maior. Na época, a religião predominante era politeísta, ditada por Júpiter e Zeus, mas o Imperador detinha todo o direito religioso. Era como se fosse o mensageiro dos deuses na Terra.

Dizem que um verdadeiro artista só é reconhecido após sua morte. Jesus fez inúmeras demonstrações aqui na Terra do que foi considerado milagre para muitos, mas mesmo assim, sua imagem não foi tão difundida por causa da repreensão do Império. Como Roma era um Império egoísta, os governantes de cada local não queriam aceitar que havia alguém mais poderoso que eles mesmos. Por isso, desde seu nascimento, Cristo enfrentou perseguições, testes e dificuldades proporcionadas pelos governantes dos locais onde passava. Cristo morreu como um mártir para a Igreja que ele tinha recentemente estabelecido, a Católica Apostólica. Com sua morte, os apóstolos peregrinaram pela região divulgando os ensinamentos católicos, que a muitos encantava. E assim foi se espalhando o cristianismo, que veio a se tornar a religião com mais adeptos no mundo. Mas o gatilho para tudo isso foi a morte de Cristo na cruz.

Agora, e se Cristo não tivesse sido crucificado? E se, seguindo a tradição da época, dessem-lhe um castigo de 50 chibatadas e depois libertá-lo? Pois os que eram considerados "hereges", assim como Jesus foi considerado, por se dizer "filho de Deus", eram tratados exemplarmente desse modo, para que ninguém seguisse suas teorias. Se isso fosse seguido, Jesus continuaria vivo e pregando sua palavra. Mas ela não iria se espalhar, iria se concentrar na região. Particularmente, foi a expansão do cristianismo a derrocada do Império Romano, pois erguia-se um novo tempo à sua frente... o Império Bizantino, dominado pela Igreja. Assim, se Jesus não tivesse morrido de cruz, o catolicismo não se espalharia e o Império Romano continuaria a crescer. Se isso acontecesse, na velocidade em que o Império se expandia, hoje seríamos Roma. O Latim não teria sido extinto, pois, tão conservador, o Império prosseguiria com seu idioma materno. Até hoje, existiriam escravos, e não sentiríamos pena deles. Mas também, por ser o mundo de um Império unificado, não teríamos guerras, já que não haveria povos entrando em conflitos idealísticos. O cristianismo seria apenas um pequeno movimento rebelde ao sistema, sem poder para afetar sequer um país. Honraríamos a diversos deuses, que nos "castigariam" e "nos pregariam peças", mas, por medo, faríamos oferendas a eles. Não haveria exércitos, pois não teria de quem se defender. A tecnologia estaria mil vezes mais avançada, já que vem sendo trabalhada univocamente desde a antiguidade. Provavelmente nesta época em que vivemos agora, poderíamos, além de televisores em HD e iPads, ter à disposição viagens espaciais, ter o controle de tudo apenas por comandos de voz, carros que andassem na velocidade da luz... A sociedade seria visivelmente dividida, nas "castas" desiguais entre a nobreza e a plebe. Não sofreríamos crises econômicas, já que o dinheiro seria só um, e o poder de compra individual seria maior.

Enfim, o mundo seria completa e definitivamente diferente, cabe a nós decidir se seria melhor ou pior. Formulem suas teorias também! Escrevam nos comentários o que mais vocês acham que o mundo mudaria se Jesus Cristo não tivesse sido crucificado.

Peace All!

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Veneno


Esses dias, em meio a conversas paralelas entre pessoas muito inteligentes, ouvi a seguinte pergunta: "Qual a diferença entre veneno e remédio?".
Houve respostas bárbaras, uma mais elaborada que a outra, mas também teve respostas ignorantes, simplórias, e todas estavam equivocadíssimas. A resposta correta, dita logo após pelo questionador, pode parecer igualmente simplória, mas é, na verdade simples, praticamente óbvia e totalmente verdadeira: a DOSE.
Pense por um momento: todo remédio vendido em farmácias e semelhantes, é uma droga. Tanto que muitas farmácias têm o nome de "drogaria". Todas as drogas têm compostos que fazem algum efeito no corpo humano, podem muito bem causar efeitos colaterais, por isso que existe a bula e a receita médica, para indicar a melhor aplicação. Existem drogas alucinógenas, que, na maioria, são ilegais. Se são ilegais, dizem respeito a algum dano ao corpo. Veneno é algo que causa dano ao corpo... Agora, a partir de onde o remédio que cura passa a causar danos? As drogas ilícitas são compostos reforçados dos remédios, ou seja, a dose e a densidade são aumentadas. Por essa razão, também, que hoje em dia, estão aumentando os casos de suicídio por overdose, já que as pessoas têm a noção de que qualquer remédio tomado em grandes quantidades, pode causar a morte. E também muitos venenos podem ser usados para confeccionar remédios, assim como o antiofídico, mas seus compostos são utilizados em doses menores.
Portanto, a dose é essencial para diferir remédios de venenos.
Mas isso não se aplica somente na medicina. Ao que pode-se aplicar esta teoria no dia-a-dia?
Vicia, e todo o vício é ruim. Mas é tão boa a sensação, ajuda a eliminar a tristeza, você fica mais leve, sente que nenhum problema pode ser tão sério a ponto de atrapalhar seu bem-estar. Mas acontece que, como veneno, se em excesso, pode sufocar, doer, matar. Mas sempre queremos um pouco mais, um pouco mais, queremos que encharque nosso peito deste tão doce veneno, do qual fazemos nosso próprio placebo, e nos sentimos bem.
Afinal, os seres humanos amam demais. Isso pode prejudicar-lhes, mas ao mesmo tempo, deixa-os tão felizes...

sábado, dezembro 18, 2010

Além da imaginação


- Obrigado, doutor. Até a próxima.
- Espero que não uma próxima consulta, hein? Quero que você não precise mais vir até aqui.
- Eu também espero.

E saí. Com a consciência mais leve, com o corpo pesando menos e, principalmente, com a cabeça refrescada. Nunca me senti tão bem em toda a minha vida, que aliás, até aquele momento tinha sido apenas de tormento. Mas a felicidade finalmente tomou conta de mim. Nem sei se podia chamar isto de felicidade, afinal, nunca tinha sentido-a para saber o que é, mas sei que me sentia bem comigo mesmo, e nem mesmo os fantasmas do meu passado poderiam tirar-me o sono. Mas quem disse que queria dormir? Queria era aproveitar a vida, já que eu acabei de ter a certeza que a tinha, e a tinha com todo o orgulho e com toda a plenitude. Não é necessário nem dizer minha idade, pois este sentimento me faz tornar criança novamente. Não tenho certeza quanto tempo isso vai durar, mas espero que dure o suficiente para eu achar que é para sempre. Mas nada é para sempre, não é? Pisei fora da clínica e me veio uma brisa quente, abrasadora, nada confortável para um dia de verão como aqueles. Fechei os olhos por causa da poeira que vinha junto com a brisa, pudera eu não fazer isso! Abri os olhos e ninguém, nem nada contemplava meu sentimento, que vertiginosamente decresceu. Era como se ao invés de uma brisa quente tivessem jogado um balde de gelo em meu corpo nu. Encolhi-me, por saber o que viria pela frente, e não seria algo que traria de volta meu momento sublime. Como disse, ninguém estava no meu campo de visão e sabia que mesmo se voltasse para onde acabara de sair, não iria encontrar sequer meu psiquiatra. Já estava familiarizado com esta visão deserta, mas neste momento me assustava mais do que antes, algo estava diferente, definitivamente diferente. Mesmo em estado de choque, não voltei para a clínica tentando desfazer o passo errado que dei, nem fiquei estacado no chão, muito menos saí correndo em desespero. Coloquei as mãos nos bolsos, inutilmente, virei à esquerda e comecei a andar, calmamente, assoviando minha música preferida. Podia fazer o que quisesse, já que não havia ninguém para me observar. Mas apenas andei, como se em um dos mais normais dias, o que realmente era para mim. Andei três quarteirões até o sobrado amarelo que estava tão inconscientemente gravado na minha mente, pelo exagerado tempo em que convivi ali. Mas agora era hora de achar uma solução. Se o coração ainda estava batendo, significava que ainda havia alguma chance. O pensamento era escapar, correr, fugir o mais rápido possível. Mas é incrível que quando se há uma certeza na cabeça, e ninguém está presente para te impedir ou soltar qualquer ruído para te fazer pensar, o escapismo é que foge de você. Agora era isso que me importava, o encontro com os fantasmas do meu passado, e a resolução de meus débitos com eles. Creio que algo simples basta. Nada de espetáculo, minha vida até hoje foi monótona, porque justamente agora seria diferente? Mas estava diferente. O ar, a brisa quente que me bateu à face, o silêncio, até o eco de meus passos pelo jardim estava diferente. Agora sim tinha certeza. Abri a porta, acendi a luz e me encaminhei diretamente para o andar superior. Não havia porque fechar a porta, não havia sequer uma alma viva para invadi-la. Passei a mão em algo no caminho e levei-o comigo. Não sabia exatamente o que era, mas sei que era pesado o suficiente. Subi e entrei. Era exatamente como lembrava, cada centímetro. Guardava tudo como estava exatamente para este momento, para a grandiosidade sigilosa. Deitei na cama confortável e respirei o conforto que a volta me causava. Mas aquele momento não era de conforto, era de ação. Mas não precisava levantar da cama... Quem disse que a vida só é miséria? Todos tem direito de se sentir confortável pelo menos uma vez na vida. Que seja esta a vez. Apenas um movimento, um simples e convicto movimento. Bastava para mim. Levantei-o. Posicionei-o. Deixei a gravidade atuar junto com a força do meu braço. E as pessoas voltaram a aparecer. E o mundo estava de volta ao normal, sem mim.

sábado, dezembro 11, 2010

Alguém

O novo é o que achamos que é novo. Um novo amor, um novo ano, uma nova vida. Novamente quero algo que me foge. Algo novo, um papel em branco à minha frente. Mas não tenho lápis. Ainda sou o mesmo, só o tempo mudou. Sim, o tempo, aquele que, inconscientemente muda o conceito de novo, mas ao mesmo tempo, deixa tudo novo. É de extrema dificuldade externar esta angústia. Não, não quero novas objeções, mas sim, novas concepções. Quero o pensamento renovado, quero vividez. Nada novo irá me agradar, a não ser o próprio eu. Quero um novo eu, que possa me explicar o que o eu é. Algo que possa me trazer de volta à realidade, que me modifique e que modifique o que sinto. E sinto que estou cada vez mais perto. E sinto muito, mas terei de ser egoísta. Pelo menos uma vez na minha vida, deixe-me experimentar o que é ser eu completamente. Quero algo para mim, e não quero ser "algo" para alguém, e sim TUDO para alguém. Quero alguém que me complete, e também quero completar alguém. Quero um teto para minha casa, um final para o meu túnel, um chão para a minha queda. Quero ser teu cobertor no inverno e teu ventilador no verão. Quero simplesmente, que eu seja você e você seja eu, unos em uma só ideia. Não, não quero um amor. Não disse isso. Quero alguém que possa me completar, que possa viver e dar boas risadas comigo. Que possa contar-me novidades todos os dias, e que cada dia seja mais emocionante, empolgante, alegre. E isso não necessariamente refere-se a um amor. Pelo menos não no contexto estereotipado e globalizado da palavra. Amor é tão mais que apenas isso... Amor é vida, amor é felicidade, amor é companhia. Meu coração é grande o suficiente para suportar novas aproximações... E quero viver esta vida, tão nova vida perto de quem me faz bem... E não necessariamente quem me faz bem é unívoco. Como disse, tenho o coração grande!



Dedicado a todos os meus amigos... Em especial, àqueles que me fazem respirar cada dia mais firme.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Quem quer comprar meu sonho?

O que é um sonho? Provavelmente ninguém parou para pensar neste assunto, pois consideramos este conceito tão trivial quanto respirar. E nem nos damos conta de que sonhar é tão, ou até mais importante que respirar.
Para quem não gosta de esperar "A Grande Família" terminar, no horário nobre da Globo, ao superar este horário, terá uma grata surpresa. A série global "Clandestinos - O sonho começou" abriu meus olhos e minha mente, por fazer com que, simplesmente e até toscamente, os sonhos das pessoas sejam reavivados e tenhamos consciência das nossas próprias aspirações.
A série fala sobre um diretor de teatro fracassado e sua assistente, que querem produzir uma peça revolucionária. A ideia principal é reunir pessoas de todos os tipos, por meio de uma audiência gratuita, e fazer uma seleção com elas, baseada em uma apresentação livre de 90 segundos, com o objetivo de captar as histórias trazidas pelas pessoas, ou seja, montar o roteiro da peça contendo personagens, falas e histórias sugeridas pelas experiências reais de cada candidato. Muitos deles falam sobre sua história de amor pela interpretação e sobre seus sonhos de serem atores. Mas o episódio de ontem realmente deixou-me com os olhos brilhando.
Sim, já frequentei aulas de teatro e sei como é gostoso deixar de ser quem você é para poder viver numa espécie de mundo paralelo, onde você pode ser quem você quiser. Confesso que esta série me deu saudades do meu tempo de teatro, que foram bons 2 anos da minha vida. Mas teatro à parte, o que o episódio de ontem retratou foi a história de um ator que conheceu a mulher de sua vida em uma peça, na qual ele interpretava Dom Quixote e ela estava na plateia. Ela era cirurgiã cardíaca e, depois de alguns dias se conhecendo, juntamente com os amigos, ela teria um transplante para operar. Ele acompanhou-a ao hospital e conheceu o senhor que estava na fila de espera. O transplante foi um sucesso e, enquanto acontecia, o rapaz relatava a tensão da família na sala de espera. Logo após a operação, ele declarou seu amor por ela, dizendo que não havia nada mais encantador do que salvar uma vida. Tiveram um filho, o qual foi chamado de Miguel, em homenagem ao autor de Dom Quixote, mas com os compromissos médicos da mãe, quem teve que cuidar da criança foi o pai. Disse que havia virado dona de casa, babá e esposa. Quando já estavam estabilizados, o rapaz começou a procurar emprego, mas a mulher havia inscrito-o na seleção dos "Clandestinos", à qual relutou em aceitar, pois afirmava que teatro não dava dinheiro. Sua mulher decepcionou-se com ele, porque estava desistindo do seu sonho. logo após a discussão do casal, ela recebeu um telefonema do hospital, que dizia que o senhor em quem ela havia operado o transplante precisava fazer uma cirurgia reparatória, padrão, mas que requeria uma certa urgência. Ao chegar ao hospital, o rapaz novamente acompanhando, encontraram o senhor se recusando a fazer a operação de reparação, pois afirmava que não adiantaria mais, que nada era para sempre. Quando o senhor começou a encaminhar-se para a saída, o rapaz tirou um ukulele da bolsa que carregava e começou a cantar "Sonho Impossível", de Chico Buarque. Ao ouvir as estrofes cheias de incentivo, o senhor chorou de emoção e aceitou fazer a operação, que também foi bem-sucedida. Após dar este exemplo, o rapaz acreditou novamente em seu sonho e decidiu se apresentar na seleção de "Clandestinos".
Muitas pessoas sonham em conquistar a felicidade. Uma vez, uma pessoa que tem um lugar muito especial no meu coração, me perguntou, via internet: "O que você faria: lutaria pela felicidade ou deixaria de ser feliz só pra não precisar lutar?". Muitas vezes obstáculos impedem nossa felicidade, mas temos tanto medo, ou preguiça mesmo, que nem tentamos desviar deste obstáculo, fazendo-o crescer diante de nós e desviando-nos do nosso sonho. Há de ser bravo, corajoso para seguir um sonho, para conseguir superar todas as dificuldades que ele te propõe. Porque convenhamos, sonhos são complicadores da nossa vida, mas que nos ajudam a viver, ajudam a manter nosso espírito e nossa alma em harmonia e faz com que tenhamos algo chamado perseverança.
Gostaria mesmo de falar tudo o que tenho para falar sobre sonhos nesta postagem, mas já está ficando longa e cansativa. Por isso, quero finalizar com um pedido. Sonhem, mesmo que falem que nunca conseguirão alcançar seus objetivos, sintam o que é sonhar e vivam como se estivessem no seu mais íntimo e profundo sonho, porque só então saberão como é ser quem quiser, como no teatro.

"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar, quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar, quando a regra é vender"
Chico Buarque

domingo, novembro 21, 2010

Caminhos incertos

Para onde vou, se seguir esta trilha? Ao desespero, à solidão, à pura e fria desolação? Ou à luz, ao brilho que me chama certeiramente pelo que não fiz, ou fiz em excesso? Só o tempo me dirá a resposta, mas tenho que me arriscar de alguma maneira.
E me arriscarei, na mais improvável das possibilidades. Nos caminhos incertos que se abrem à minha frente não há volta, nem desvio. Há apenas o que os meus olhos veem, e nada mais.
Acho que estou com medo. Pela primeira vez em minha vida, sinto o medo real da indecisão. E esse medo é o que há de mais forte e me controla como uma marionete, uma fraca e vulnerável marionete! Controla-me erroneamente, fazendo meus passos vacilarem e tropeçarem em invisíveis rochas que se levantam à minha frente, pois não posso detê-las. Apenas posso esperar a batida, o baque monumental que sei que irá vir, apenas não posso prever. Afinal, tenho sempre que olhar pra frente, independentemente da tortuosidade ou das intempéries ou do relevo. Tudo isso tem apenas que me dar motivação para seguir em frente, saber que pode ter algo muito importante esperando-me, pulsando e vivo, como o que há dentro de mim. Sim, meu medo pulsa, bate a cada passo meu, que agora começam a rarear e desacelerar, fazendo aumentar cada vez mais meu temor e ansiedade. Anseio pelo bom, pelo sorriso e pela felicidade, mas não sei. Não sei o que pode estar do outro lado. Por isso, não quero mais seguir. Estou mais confortável aqui do que indo para onde não conheço.
É difícil escolher entre duas opções tão contraditórias. Mas acho que consigo um solução. Enquanto isso, fico no meio do caminho...

sábado, novembro 13, 2010

Sou um alheio

Agora estou real e inexplicavelmente confuso. Não há como negar que defendo meus pontos de vista, mas muitas vezes, exagero. Deveria parar apenas nos meus argumentos, pois não, avanço sempre para pegar no ar pontos de vista alheios, até alheios à humanidade, apenas para provar o improvável. Sim, estão todos certos e eu o único errado da história inteira. São nestas horas que me sinto o culpado pelas bombas do Japão. E sinto que cada vez mais sou o culpado pela dor no coração dos outros, pelo que tanto os outros sofrem, pelas tuas desventuras, que acompanho com tanto interesse, mas não posso fazer-me de rogado e aguentar manter algo saudável, sem richas nem discussões tolas sobre sentimentos, apesar de saber que elas não levarão a nada, nem ao que eu quero, muito menos ao que você quer. Aliás, o que você quer? Não pretendo fazer uma ofensa com esta pergunta, mas sim uma indagação no mínimo curiosa. Encanto-me por ti pelo que há de secreto, o que tu não revela, o que está dentro do envelope tão bem selado. Teus sentimentos internos, tua mente, e principalmente, teus pontos de vista, me interessam muitíssimo, pois vejo que és diferente de outras pessoas que apenas falam, mas não acreditam no que dizem.
Como fogo, sou perigoso para quem chega perto, mas apenas jogue um pouco de água que logo deixo de existir. E você tem medo do meu calor, só que sempre, em nossas discussões, és a água que me cobre e me deixa sem expressão alguma... Tanto que tenho que pegar oxigênio externo para tentar continuar a ser uma faísca perto de ti. É isso que faço, tento resistir ao poder destrutivo que tens sobre mim, mas acontece que és sempre mais forte, e caio em desgraça. Só depois percebo que o que fiz foi errado, tens sempre a razão e eu, sou um mero amador a querer discutir sobre estes temas contigo. E sempre falo que não minto... Começo a mentir por aí, pois também sempre falo que teus conceitos são vãos. São válidos, e diria mais, são os mais corretos. Eu que teimo em apostar em meu mundo onírico e simplesmente banal.

"Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face..."

quinta-feira, novembro 11, 2010

A palavra...

Dignidade. É o que lhe falam para ter. Dignidade e virtudes. Dignidade é reconhecimento. É orgulho e prudência. Quer algo mais digno que um amor verdadeiro? O amor verdadeiro é algo para se orgulhar, algo para ser feliz, algo para brilhar. Mas mesmo assim, há algo mais digno que amor verdadeiro. Um amor impossível e verdadeiro! Isso sim, provoca a procura, o furor apaixonado e o marejar dos olhos, aquela sensação de fogo mais forte que a chama natural queimando não apenas teu corpo, mas teu coração, tua mente e tua alma. E você não consegue controlar, domina-te por completo até você considerar aquela criatura o motivo de teus sorrisos. O céu e a terra, o mar e o Sol, a Lua e as estrelas não mais se comparam à beleza do ser que faz com que teus sentidos se invertam. Muitas definições já foram dadas ao amor. Em meu mais puro conceito, diria que o amor é o fascínio que duas pessoas têm pelo que há de mais secreto nelas. Às vezes, procuramos tão incessantemente a resposta para uma das mais intrigantes perguntas da humanidade, sem perceber que a solução está ao alcance do coração.
Mas sinto algo que nunca senti, algo que me dá uma dor profunda, mas mesmo assim, sou obrigado a aguentar, para não oferecer uma dor maior para quem eu amo. Sinto, e sinto ao extremo, um nunca se aproximando, a palavra mais detestável, mais digna de asco que meus ouvidos já tiveram o desprazer de escutar. Digno... então dignidade é relativa. Pois não me orgulho nem um pouco em ter ouvido esta palavra uma vez na vida, ainda mais perceber sua chegada. Já senti o nunca, mas não tão profundamente. Sinto seu cheiro. E, pelo incrível que pareça, ele tem o perfume da criatura que me faz feliz. Mas é um perfume angustiante, porque não posso ter o amor comigo. Está tão perto, porque não posso tocá-lo? E um amor assim é o impossível, o que se pode sentir, mas não se pode tocar. E este amor é verdadeiro quando esta dor tão profunda encrava no teu peito e não sai mais. Isso é digno. Mas não posso reclamar. Tenho-a, embora não como meu coração exige. E é esse nunca que é o pior. O nunca parcial, pois o perto torna-se longe.
O amor não torna os seres humanos idiotas nem infelizes. Ora, o amor é considerado o sentimento mais nobre que um coração pode sentir! Deveria deixá-los felizes! Mas não. Muitos ainda temem amar. Pensam que amar irá estragar tudo o que há relacionando os dois seres. Amizade e amor. Dois sentimentos que se completam, não é? Um não vive sem o outro. Porque muitos ainda teimam em querer confundir amor e amizade, se ambos mixam-se tão bem?
Tenho uma teoria sobre o amor. Pessoas têm medo dele pelo que ouvem, não pelo que experimentam. As experiências amorosas nunca podem ser ruins, se forem, não são amorosas. A amizade é amor também, um amor compartilhado, confiança mútua, mas sem a intensidade do sentimento verdadeiro. O amor é a única coisa que pode fazer com que sentimentos se transformem.
Afinal, não existe melhor tipo de ser humano do que aquele que está apaixonado.

sábado, outubro 30, 2010

Feeling Good


Nina Simone
Os pássaros que voam alto sabem como me sinto
O Sol no céu sabe como me sinto
Os canaviais se balançando sabem como me sinto
É uma nova aurora, é um novo dia, é uma nova vida pra mim
E me sinto bem

Os peixes no mar sabem como me sinto
O rio correndo livre sabe como me sinto
As flores nas árvores sabem como me sinto
É uma nova aurora, é um novo dia, é uma nova vida pra mim
E me sinto bem

Libélulas soltas no céu
Sabem o que quero dizer, não sabem?
Borboletas se divertindo
Sabem o que quero dizer
Dormem em paz
Quando o dia termina
E este velho mundo é um novo mundo e um corajoso mundo para mim

Estrelas, quando brilham, sabem como me sinto
A essência de pinho sabe como me sinto
Sim, liberdade é a minha vida
E você sabe como me sinto

É uma nova aurora, é um novo dia, é uma nova vida pra mim
E me sinto bem.

terça-feira, outubro 26, 2010

Faça uma reverência

(Adaptação de letra de música)
Corrupto! Traz corrupção a tudo o que toca, e os contemplará por tudo o que já fez. Lance um feitiço sobre o país que comandas, e assim arriscará todas estas vidas, e queime, queime no inferno, no mais profundo e miserável, por todos os teus pecados. Nossa Liberdade está se auto-consumindo, e o que nos tornamos é o oposto do que desejávamos. Faça uma reverência a toda essa miséria, e contemple, e se subordine.
Traz morte e destruição a tudo o que toca.
Deverás pagar pelos crimes que cometestes contra a Terra, contra nós. Alimente as falhas do país que amas, e implore por todas estas almas.
Aí sim poderás queimar. Queimar no inferno junto com teus pecados e levar todos junto contigo.
Só então poderás reverenciar. Ao autor real de tudo o que causastes. À tua alma.

domingo, outubro 17, 2010

Som da alma


Baseado em fatos reais

Calma, a bela jovem observava de longe o andar nas ruas agitadas, chuvosas e poluídas da cidade grande. Desde que chegara do interior, nunca mais teve a paz que queria, ou que poderia ter. Mas gostava de apreciar a multidão, as cores, mesmo que majoritariamente cinzentas, os rostos das pessoas, e imaginava se um dia ainda iria voltar para sua cidade natal, pequena, mas linda cidade, que lhe ofereceu tudo que precisava na infância.
Sua paixão estava verdadeiramente no som. O rádio era seu companheiro para todas as horas, tanto que até chegou a divulgar sua voz pelas ondas da rádio de sua cidade. Mas ao partir para a cidade grande, abandonou o radialismo por questões puramente práticas. Mas nunca deixou o amor à música de lado. Porém, os sons da cidade grande conseguiam abafar seus ouvidos tão acostumados à calmaria e às notas puras que ouvia do seu aparelho de rádio.
Trabalhava, desde a mudança, na parte administrativa de um sindicato. Não era nem perto de onde ela queria chegar, mas era o que estava disponível. Ela queria fazer uma faculdade, completar os estudos e mudar a monotonia de onde vivia. Queria dar valor à sua criatividade, queria publicidade. Queria, além de tudo, algo pelo que valesse a pena lutar.
A calmaria, na verdade, apenas escondia uma profunda angústia, à qual não sabia nomear. Toda aquela dinamicidade ali, na frente dela, algo lhe incomodava. Não encontrava o que queria, tudo parecia desorganizado, e sua mente já não trabalhava com a liberdade de antes. Sufocava-se cada vez que pensava na possibilidade da falta de ar, e não imaginava como poderia sair daquela situação desconfortável. Chegou a desistir. Sim, desistir de tudo, de pensar, de tentar, de viver.
Mas justamente quando estava chegando ao fundo de sua decepção e depressão, aconteceu algo que mudou seu ser. Uma música, justamente em seu aparelho de rádio, tão amado aparelho de rádio, que soava em seus ouvidos como um não desista e aproveite o que a vida tem a lhe oferecer. Sentiu um calor no seu corpo que espantou toda a frieza da angústia. Seus olhos voltaram a brilhar, e até a cidade ganhou cores vívidas. Nunca tinha escutado aquela banda, mas sabia que era sua salvação.
Sabia que poderia voltar a sorrir, mesmo estando presa à monotonia. Porque tinha a música como companheira.

sexta-feira, outubro 15, 2010

O Não

Minhas experiências sociais estão aumentando. Tanto que posso fazer afirmações espetacularmente verdadeiras quanto à convivência entre pessoas de diversos tipos, idades e ideais. E algumas delas podem até impressionar-te, caro leitor. Sempre me considerei um observador, aquele que gosta de ficar calado para prestar atenção em cada detalhe do que a pessoa à minha frente fala, ou faz. Aquele que reconhece que qualquer mínimo movimento, qualquer palavra colocada erroneamente, qualquer vício, qualquer suspiro, por menor que seja, é digno de apreciação crítica, análise e que querem dizer algo, independente do que. Em uma dessas minhas observações, constatei um fato muito interessante de todos os seres humanos, por melhor que seja sua alma, é que todos estão viciados com uma palavra: o "não".
Palavra curta, fácil de falar (bem mais fácil que o "sim", já que, em português, há apenas uma consoante e duas vogais ditas em sequência, à medida que o "sim" tem duas consoantes separadas por uma vogal, e no inglês, o "não" é mais curto que o "sim") e que tem uma gama infinita de significados. Agora o atencioso leitor pode indignar-se, pois segundo a sabedoria geral, "não" é "não", sem outros significados. Mas segundo a psicologia humana e como o cérebro interpreta a fala dos similares, o "não" pode ter diversos caminhos.
Uma criança, quando ouve um "não", impele-se contra a barreira e insiste até ouvir uma resposta satisfatória. Quando a mesma criança diz "não", ela sente as barreiras que a impedem de sentir satisfação crescerem para cima dela, sufocando-a e deixando-a sem escapatória. O choro é a tentativa de escapar da prisão da insatisfação, por mostrar para a mãe que a criança não está gostando de tal situação, por exemplo, quando a mãe tenta forçar a criança a comer legumes. Sendo as crianças um modelo espiritualmente puro dos adultos, creio que o "não" também é a nossa escapatória. E se é mesmo escapatória, então tentamos fugir o tempo inteiro, pois é impossível deixar de dizer "não".
Uma experiência psicológica bem fácil e certeira é reunir seus amigos e, enquanto vocês estão reunidos, vale a regra de que é proibido dizer "não", caso contrário, cada "não" vale um risco de caneta no rosto de quem disser. Eles vão tentar fazer o combinado, mas é inevitável que pelo menos um deles saia com a cara toda maquiada. No mundo atual, o "não" está mais presente que o ar, é mais vital que a água. E se deixarmos de ser cautelosos, deixaremos o "não" dominar nossas vidas, e negaremos até nossos amigos, nossa família.
Posso ser muitas coisas, menos psicólogo. Sou um entusiasta do bem-estar e como tal, procuro jeitos saudáveis e gratuitos de manter a auto-estima e a sociabilidade. Por isso, vai aí o meu conselho: deixe de lado a "arte de dizer 'não'" e faça como o personagem de Jim Carey. Diga "sim" e veja as coisas incríveis que irão lhe ocorrer!

Peace All!

sábado, outubro 02, 2010

Porque?

Muitas vezes pensamos que não há uma escapatória, pois chegamos a um ponto em que o desespero toma conta de nossas entranhas e estacamos em meio à escuridão. Nossas vidas dependem de um suspiro de inspiração, algo que possa salvar-nos, algo que liberte desta prisão tão fria. Mesmo com várias opções à tua frente, não depara-te com a mais correta, embora todas pareçam-lhe as melhores. Fica com medo dos outros, suas sombras, que te rodeiam, fica até com medo de pisar nestas sombras, de lhes quebrar o ser verdadeiro, pois se acidente ocorrer, podes, além da liberdade, perder a alma. E a vida sem alma não seria mais que um sopro. Um sopro inocente e indolente, que nada muda, nada figura, nada imagina. Perderá para sempre no abismo da solidão o que chamas de felicidade, se é que existe, porque ficaste muito tempo sem ter notícias dela.
Fica sentado, não deitado, deitar descansa, e não queres descansar, apenas observando como as vidas lá fora se movimentam, como tudo é tão irritantemente e insignificantemente e perfeitamente belo. Como a vida lá fora é movimentada, mesmo que num dia chuvoso monótono, mas mesmo assim, mais feliz que você. Pensas por um segundo em abandonar tudo e juntar-te à chuva, pois já que ela traz tanta felicidade às plantas, poderia pelo menos trazer-te um pouco de movimento. Mas a força é pouca e a vontade menor ainda. Não vês outra solução a não ser ficar trancado com teu conforto habitual, calor fingido e iluminação falha.
E é aí que te perdes, e é aí que percebes que a última luz se apagou, olha para trás e vê decepções, olha para a frente e vê iminentes erros, agora está apertado em teu próprio sentimento, sufocado pela própria mão, e agora se aproxima o terror, além do medo convencional que já era teu companheiro há décadas, pelo que parece. E este terror te consome como ácido e choras, derrete-te em lágrimas e desmorona em tua própria alma.

E me perguntas porque?

Porque tu és humano. E como tal, ama demais.

domingo, setembro 12, 2010

Ao esmo

Sonho com palavras. Palavras que voam e se juntam, sozinhas, sem lápis que as carreguem ou borrachas que as reprimem. Palavras livres, descomprometidas e felizes, palavaras com sede de conhecimento, mas que já possuem todo o conhecimento possível. Palavras pequenas, grandes, divididas, acentuadas, inconjugáveis, verbais, conectivas ou subordinativas, todas convivendo harmonicamente em suas sentenças. Palavras com sentido, palavras neológicas, palavras retóricas e interrogativas, palavras de amor, ódio, tristeza e felicidade juntas formando uma frase definitiva.
Sonho com frases. Frases que me fazem pensar, refletir, convergir. Frases que em minha cabeça e em meus sonhos, tornam-se versos, e esses tornam-se poesia, declamada, cantada ou trovada. Poesia que enche meus pulmões e que, na expiração, é substituída por sentimento, que percorre meu sangue. Frases completas ou reticentes, mas sempre juntas, uma seguindo-se da outra, numa extensa corrente de sabedoria e deleite. Juntas para proferir o bem ou o mal, mas juntas, sempre em reunião paragrafal inexorável.
Sonho com parágrafos. Com a forma livre, com o bem querer de cada linha que os formam e não limitando-se a bordas de página, mas sim, extravazando as fronteiras de minha mente, e que esta não sirva apenas de refratário, mas sim, de espelho, para disseminar a verdadeira poesia contida nestas estrofes, e, para que, ao encontrar outro espelho e mirar-me de fronte a ele, multiplique infinitamente a imagem das letras, palavras e frases reunidas, como se todas estivessem grudadas a mim e me guiassem para um abismo literal e literário.
Sonambulismo domina-me agora. E sei que será minha última aventura inconsciente e, talvez, o consciente já não exista mais. Pois sei que estas palavras não são minhas, pelo menos não quando estou acordado. Mas ainda espero poder permanecer neste estado tão somente mnemônico, no qual apenas aplico o que sei e o que aprendi e deixo as palavras falarem por mim, justamente por não ter o que dizer.
Sou utopista, pois sou poeta. E como tal, sonho em não ter que usar as palavras para me expressar, mas sim as palavras me usarem para se iluminar!

domingo, agosto 22, 2010

Mais pesado que o céu

Seus pais não eram como ele. Aliás, ninguém era. Ninguém o compreendia, muito menos entendiam sua mente cheia de devaneios, desejos e um incontrolável anseio de mudar. O mundo? Não, o mundo era muito para ele, pois não o conhecia. Desde criança queria algo pra si mesmo, algo que poderia chamar de seu, apenas seu.
Assistiu com pesar o divórcio de seus pais, aos 8 anos e, desde então, sua vida tornou-se um tornado eterno. Sorrir era algo muito presunçoso para seu tipo sombrio, queria manter-se oculto e o rosto melancólico e fechado tornou-se uma máscara para que ninguém possa reconhecê-lo. Mas a máscara não mudou, e sua face tornou-se conhecida.
Ainda jovem, conheceu um rapaz que lhe ajudou muito a tentar entender a si mesmo. Foi morar junto com ele, já que não tinha mais casa fixa. Os pais do rapaz eram extremamente religiosos, e o jovem conheceu um ser grandioso, piedoso e amoroso. Encantou-se de início, mas acabou conhecendo outras crenças orientais, que lhe surpreenderam, pela medida da compatibilidade com seus desejos. Libertar-se da dor e do sofrimento mundanos, elevar-se a um plano superior. Essas ideias levaram-lhe a dar asas ao seu ser artístico.
Mantinha seu diário sempre ao seu lado, com suas caprichadas caricaturas de personagens famosos da época e seus poemas. Frases revoltadas ecoavam em cada página, até que, por um desentendimento entre ele e seus pais, acabou expulso de ambas as casas, e passou a procurar abrigo nas casas dos amigos e até passou alguns dias debaixo de uma ponte. Mas sua sorte tendia a mudar.
Conheceu amigos que levaram-lhe a vários lugares e que mudaram seu pensamento. Não se importava mais com os estereótipos da sociedade e, mesmo que raramente, esboçava um sorriso. Era apaixonado pela arte em si, mas mantinha um relacionamento íntimo com a música. Desde criança já apresentava dons vocais e instrumentais. Foi quando estes novos amigos levaram-lhe aos concertos. E apaixonou-se, e idealizou, e juntou a fome com a vontade de comer. Juntou dois de seus melhores companheiros e, juntos, disseminaram a arte, a revolta, o utópico mudar, a elevação e o refúgio. E voltara a não sorrir, mas apenas externamente, como uma forma de demonstrar seriedade.
Mas o reconhecimento por sua máscara acabou por destrui-lo. Muitas pessoas apreciavam sua verdadeira poesia, mesmo quando não entendiam o propósito. E lhe enraivecia quando as pessoas não entendiam seu propósito. A raiva era tanta que precisava acalma-la, cessa-la, controla-la. Aprendeu o lado mau da humanidade, conheceu as armas e os narcóticos e, com isso, tornou-se figura de desejo dos policiais. Mas não queria se entregar à loucura, não queria ser conhecido assim. Agora que o mundo estava prestes a conhece-lo, não queria perder sua tão merecida conquista, seu espírito merecia paz.
A paz, que sim, poderia ser só sua, o sonho de toda a sua vida, poderia ser alcançada, se unisse tudo o que lhe fazia escuro e sombrio e, repentinamente, cortasse. Fez seu máximo esforço para sorrir enquanto um grande público o observava, mas tinha esquecido como sorrir. Assumiu que o melhor a fazer era garantir sua paz antes que esquecesse também como amar. E conseguiu, de modo egoísta e solitário, sua elevação, sua libertação, seu nirvana máximo.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Beira do abismo


O medo é a única coisa que impede-nos de fazer o que queremos ou de não fazer o que não queremos. É o medo que nos diz como temos que nos comportar, e nada melhor para espantar o medo do que perder o medo de falar tudo. Tudo o que te amola, tudo o que te perturba, tudo o que está dentro de você e quer sair, mas você tem medo de colocá-los para fora. Nada pode ser muito restrito a só uma pessoa, às vezes, quando mais pessoas sabem o que uma pessoa sente, mais essas pessoas irão se entender, se relacionar e mutuamente se ajudar, pois assim caminha a humanidade!
Às vezes penso que a única forma de dissolver o medo é não senti-lo. Isso torna-se um paradoxo inimaginável (com medo do pleonasmo que acabei de usar) quando se está apaixonado.
Nessa situação, um abraço torna-se confortador, aquecedor e até ajuda a dissipar um pouco o medo, mas intimamente o medo só faz crescer e te domina.
E há apenas duas coisas a fazer:

  • Desistir

  • Mergulhar com roupa e tudo


.
.
.
mas o medo impede-lhe de fazer ambas.

domingo, agosto 15, 2010

Como chuva (1ª parte)


Nada era digno. Não naquele momento, um dos poucos e últimos, de puro prazer da alma. As atenções estavam voltadas apenas para seus encharcados sapatos e, de vez em quando, para o cabo de madeira toscamente talhado seguro em sua forte, mas vacilante mão. A vontade era de gritar para todos o ouvirem, mas reservava suas forças para continuar encarando do sapato para o cabo, do cabo para o sapato.
Não ouvia seus passos, pois saíam abafados. Os espoucos que ouvia acima dele eram, no silêncio, ensurdecedores. Seu protetor não adiantava muito, pois suas roupas, até a barriga, estavam molhadas, colando sua calça ao corpo e fazendo um frio lancinante penetrar seus músculos. Sua raiva era latente, mas tentava não explodir. Mantinha-se passivo e monótono, apenas andando e, de cabeça baixa, refletindo sobre o couro e a madeira. Realmente não queria pensar em mais nada, apenas absorto e, como não podia deixar de estar, incomodado pelas gotas.
Ofegava ainda antes da metade do caminho. Não por estar cansado, pois não estava. Era acostumado com longas caminhadas, afinal, não possuía carro e não havia ônibus passando sequer perto do local onde trabalhava. Ia e voltava a pé todos os dias. Ofegava pois seu coração disparava. Ofegava por tudo aquilo que ocorrera e que ainda iria ocorrer, ofegava por medo. Como nunca o sentira antes. Não sabia o que esperar, mas sabia que esperava algo que lhe causaria dor. A dor física era a que menos importava.
Aquilo lhe incomodava com maior intensidade do que as gotas, tornando-as meras interferências ao pensamento que repentinamente lhe surgia. E crescia, como chuva. Agora já chegara à metade do caminho, quando passava por um posto de combustível deserto. Várias ideias insanas passaram por sua mente ao ver as bombas de gasolina e álcool, sentia a caixa com apenas um cigarro dentro do bolso da jaqueta e o isqueiro logo do lado. Por alguns segundos, se não existisse o pensamento, essas ideias insanas poderiam certamente dominar sua mente e ele pegaria o isqueiro. Mas não. Queria aproveitar o pensamento que, por pelo menos alguns instantes o salvou. Como poderia ser tão óbvio? A resposta, que poderia ter lhe destruído, poderia finalmente conceder-lhe a paz que merecia.
O sapato e o guarda-chuva já não lhe importavam mais. Agora tinha que completar a outra metade do caminho. Mais 20 minutos. Era tudo o que precisava para botar o plano em ordem. Andava mais rápido, talvez tinha menos tempo. Mas não precisava de muito mais tempo, já tinha tudo automaticamente em sua cabeça, como se seus neurônios, que já trabalhavam há muitos meses contra seu dono, tivessem decidido a ajudar-lhe. O frio fora coberto por uma rápida, mas intensa onda de choque que fez com que a adrenalina substituísse seu sangue nas veias. Agora nem mesmo um tiro lhe causaria dor, pois tudo em volta havia sumido, e só havia ele e seu pensamento, seu plano infalível.
Faltava-lhe pouco agora. Nada mais que cinco minutos, e a tensão caía sobre ele como um pé d'água em um dia antes ensolarado. Era irresistível a tentação de se encolher pelo tremor de ansiedade que perspassava cada milímetro de seu esqueleto. Nem vontade de fumar tinha mais, afinal, para quê gastar o último cigarro com a derrota, se poderia aproveitá-lo para comemorar a vitória? Seu corpo reagia ao iminente êxito. Tentava colocar tudo de ruim pra fora. Suava frio, tinha episódios constantes de tentativa de bocejo e seus músculos contraíam. E como não poderia deixar de ser, os músculos faciais trabalhavam à toda potência, conferindo-lhe um involuntário, mas completamente consciente sorriso de canto de boca, um sorriso malicioso de criança que está prestes a aprontar.
Chegou à rua destinada. Ainda parara um pouco de andar, bem no alto da rua, observando as casas tão conhecidas, tantos momentos. Mas agora não era nenhum desses. Era um novo momento, um novo capítulo de sua vida. Sua vida. Com essas palavras em sua mente, a coragem lhe invadiu e moveu seus pés para prosseguir com o plano. Desceu até a altura do número 450, onde havia três casas muito parecidas, mas uma tinha o muro de tijolos, outra o muro era amarelo e outra, salmão. Dirigiu-se ao muro de tijolos. Abriu a portinhola quase sem pensar, de tão automático que este gesto se tornou com o passar dos anos. Chegou ao hall de entrada, que mais parecia uma sacada, com flores ornamentando o corredor e um teto de vidro logo acima de uma porta de madeira. Fechou o guarda-chuva, deixou-o ao lado da porta, em cima de um elegante carpete, no qual sua mulher já lhe havia dito para não colocar objetos molhados. Mas a força do hábito era maior. Ao encarar a maçaneta redonda, engoliu em seco. Sabia que toda aquela raiva, toda aquela dúvida estava para desaparecer, mas mesmo assim, não conseguia controlar o fluxo de hormônios que lhe diziam para sentir medo. Encostou no gelado metal e, com um súbito fechar de olhos, abriu a porta.

Solidão (2ª parte)


Estava decidido a não desistir, foi o que aprendera em sua epifania debaixo de água e temor. Agora chegara a um ambiente centenas de vezes mais confortável, quente e familiar, um lugar onde poderia agir. Fechou a porta, estava escuro. O cheiro de móvel novo invadiu suas narinas e lhe sugeriu que algo estava errado. Tateou a parede à sua esquerda, à procura de um interruptor. Não o achou. O medo voltara ao seu corpo e, neste momento, houve uma mistura química de hormônios tão poderosa em seu sangue que parecia que ia explodir a qualquer momento. Não sabia mais o que sentir, a confiança estava feito um fio de teia de aranha, prestes a se romper.
Não ouvia ruído. De um certo modo era bom não sentir presença alguma, pois a sensação de solidão no meio do medo era muito aconchegante. Nunca fora muito chegado a companhias, a infância foi muito solitária. Não gostava de conversar com quem quer que fosse e eram raros os momentos em que era visto sorrindo. Isso durou 15 anos de sua vida. No segundo grau, conheceu-a. Ah, era encantadora! Sua voz de veludo, seus cabelos castanhos em suaves ondulações que desciam-lhe pelos ombros até a altura da cintura, o rosto redondo e as envolventes e enormes íris cor esmeralda. Com ela, conversava. Com ela, sorria. A ela, amava. E era visível a retribuição dela, tão carinhosa, tão atenciosa, verdadeiramente um grande coração. E partiram para a faculdade de psicologia juntos. Namoravam a 6 anos, quando finalmente veio o pedido. E ficaram felizes. E ficaram grávidos. Duas meninas de uma só vez, mas estavam preparados. Mas conheceu o cigarro. E depois de conhecê-lo, foi praticamente impossível largá-lo. Ficou incapacitado de atender pacientes por mais de dois anos, pois o vício o dominou. Adoeceu e já esteve até à beira da morte, sua mente, insana, delirando. Recuperou-se aos poucos, podendo finalmente voltar às atividades. Mas já não era o mesmo psicólogo que, junto com sua mulher, era considerado o melhor do estado. Era perturbado, não prestava atenção nas declarações dos pacientes e diagnosticava erroneamente. Escapar da morte fora uma experiência traumatizante, e não feliz, como poderia ser para muitos. Já tinha seus 37 anos, cabelos precocemente grisalhos por causa do stress ao qual fora submetido, enquanto sua mulher parecia cada dia mais bela, cada dia mais jovem, cada dia mais feliz.
Deu alguns passos em direção ao centro da sala. Seus sapatos tocaram um tapete fofo, possivelmente impecavelmente branco pelo cuidado desferido por sua mulher, que fazia questão de deixar a casa inteira um brinco. Agora lembrava, "o interruptor está do outro lado". Voltou até a porta e pressionou o que, após alguns segundos de ter percebido o que fizera, desejou nunca ter pressionado. Virou-se e deu de cara com a sala praticamente destruída, móveis tombados, a estante da televisão caída no chão, uma completa bagunça, que sua mulher jamais permitiria. No tapete, a pouquíssimos centímetros de onde havia pisado há alguns segundos, havia um amontoado das almofadas preferidas da mulher, juntamente com livros, revistas, seu cinzeiro e o aparelho de DVD, destroçado. Aparentemente, nada fora roubado, mas ainda não checara tudo.
Passando sobre os móveis derrubados, chegou à passagem para a cozinha. Estava igualmente revirada, mas mais suja. A geladeira estava aberta, e a maioria dos alimentos, jogados no chão. Mas, como na sala, nada havia sido retirado de lá. A tensão crescia em seu corpo. Seus músculos enrijeceram e, de repente, a ideia que havia em sua mente desmoronou como barranco em dia de enchente. Aquilo que mais temia, aquilo que, com a esperança do plano, tinha esquecido, tornou-se sua realidade mais sombria e cruel. Desejava ter a mulher ali do lado para lhe ajudar a pensar, mas sabia que não poderia contar com ela por perto. E sabia o porquê. Mas isso era a menor parte de seus problemas. Tinha que conferir. Tinha que subir as escadas e verificar com seus próprios olhos aquilo que, embora desejasse desacreditar, tinha por absoluto havia mais de mês.

Consequência (3ª parte)


Antes de sequer pensar em voltar ao local todo destroçado que era a sala, tentou encher seus pulmões de ar, parando para pensar um pouco. Teria que ter outra solução, já que sua ideia fora devastada. Como as consequências e os fatos podiam ser tão cruéis? Com seus sentidos voltando ao normal, percebeu que não havia móvel novo para ser sentido o cheiro. E que também, agora o cheiro, que estava mais forte, não se parecia nem um pouco com cheiro de móvel novo. Estava consciente de novo. Sim, pois havia sido desligado momentaneamente pelo fluxo de raiva misturada com adrenalina. Sim, o cheiro decididamente estava mais forte na cozinha. Mas não procurou a fonte.
No corredor para a sala, passou por uma porta intacta, onde ficava o banheiro do andar térreo. Seja quem fosse que invadiu a casa, sabia que não era no banheiro que deveria procurar. Era um ladrão esperto. Se é que era um ladrão. Se fosse um ladrão, seus problemas seriam enormemente minimizados. Mas tinha que checar o andar de cima. De qualquer jeito, sabia que haviam consultado lá. Chegou à sala, pulou as ruínas e chegou à escadaria. Subiu-a com surpreendente firmeza, e chegou ao patamar superior. Também não ouvia coisa alguma. Agora que voltara ao normal, o silêncio lhe perturbava. Lembrara que o plano não daria certo, e que poderia estar tudo perdido. Queria ouvir risos, ou mesmo um choro.
Pela primeira vez desde que tivera a ideia, lembrara das filhas, tão bonitas, tão saudáveis. Tão crescidas, com seus 12 anos, brincalhonas, sorriso contagiante, cabelos tipo channel tão loirinhos, tão iguais. Às vezes até ele, o pai, se confundia entre elas. Mas a mãe não, esta saberia diferenciá-las mesmo se estivessem a uma plena distância, à noite. Passou pelos quartos das duas, uma porta colada na outra, com plaquinhas com os nomes delas escritos penduradas. Queria entrar para sentir o bom perfume dos quartos, sentir-se como todas as noites sentia, na presença tão confortável das meninas sorridentes, que lhe pediam para contar histórias de terror e, às vezes, acabavam adormecendo os três, juntinhos, abraçados, carinhosamente unidos como um só. A mulher só tinha o trabalho de cobri-los com uma manta enorme, mas fazia isso com uma ternura imensurável. Mas no momento, não poderia parar o seu caminho. Teria que fazer, se mais cedo ou mais tarde, é melhor mais cedo. Se tudo desse certo, teria uma vida toda para sentir as filhas abraçando-lhe e pedindo as histórias mais horripilantes. Mas isso tudo já poderia estar perdido. Tentava não pensar nisso. Prosseguir como se o plano ainda fosse dar certo.
Percebeu que a porta do seu quarto estava entreaberta. Seria ali e naquele momento. Aproximou-se cauteloso. Sabia que qualquer movimento era decisivo. Sua sorte era que a porta tinha a maçaneta na esquerda, pois sua mulher era canhota. Assim, ele pôde se aproximar sem que um possível ocupante do quarto notasse sua sombra. Chegou mais perto e ouviu sussurros abafados. Puxou a porta milimetricamente, e os sussurros cessaram. Como não ouvia mais nada, decidiu abrir a porta de vez. Encontrara os dois, sentados lado a lado, próximos demais. As duas meninas, a um canto, observando a cena. Os dois pareciam amedrontados com a presença dele, mas não se mexiam. Sentiu algo crescendo dentro dele, um sentimento corrosivo e intenso. Sabia que, de qualquer forma, isto não era tudo o que esperava, mas já era suficiente para que seus neurônios voltassem a sentir-se preguiçosos. Demorara para entender tudo o que estava acontecendo. Quando deu-se conta, percebeu olhares maliciosos e malvados de suas filhas. E sem palavra, percebeu finalmente qual era o tal cheiro que invadia a casa inteira. Sua mulher pareceu notar o que ele estava pensando, mas não saiu do lado do homem, que ainda estava petrificado. O homem nervoso que estava parado à porta enfiou as mãos trêmulas dentro da jaqueta ainda muito molhada, pegou a pequena forma quadrada cheia de líquido dentro do bolso interno e puxou-a para fora. Abriu a tampa. Com um clique, saiu uma faísca, e desta, avassalou-lhe uma labareda que lhe doía, mas era melhor do que conviver com a dor daquela cena...
-Amor, acorde! Vamos, você está suando!
E realmente estava. Estava quente demais por causa do exagero de cobertores. Abriu os olhos desconfiado. Sua mulher estava com aquele olhar preocupado e terno que conhecia bem. Pegou seus óculos na mesa-de-cabeceira e, olhando mais claramente para o rosto de sua amada, abraçou-a firmemente e disse ao seu ouvido:
-Vá acordar as meninas. Está tudo bem.

sábado, julho 31, 2010

Sympathy for the devil


Quem é a figura tão temerária? Quem é este que faz multidões inteiras se encolherem e tremerem? Quem é este a quem todas as nações tentam figurar, mas ninguém descobre sua verdadeira face?

E se não houver face?

Talvez os seres humanos se preocupam demais em ver o errado nos outros, querer sempre algo tangível, visível. Querer sempre um ser para ser amado e adorado e outro oposto para ser temido e rejeitado. Usam de simbolismos, delírios, invenções ou apenas reunião de histórias passadas de boca em boca para formar imagens unanimemente reconhecidas. Muitas dessas histórias e fatos vêm da própria fonte de toda religião: O Livro Sagrado. Para os Católicos, a Bíblia; para os muçulmanos, o Alcorão; para os Judeus, o Torá. Cada um desse contém os ensinamentos dos chefes religiosos. E esses ensinamentos têm dicas e características de como seriam os seres superiores e inferiores, que supostamente chegarão ao conhecimento dos seres humanos nos tempos de Apocalipse.
E Deus criou o homem à sua imagem e semelhança... Apenas por esta passagem do livro de Gênesis, provavelmente a única com uma dica da aparência de Deus, temos uma ideia do que os nossos antepassados pensavam sobre a imagem de Deus.
Sobre o Anti-Cristo, demônio, capeta, Lúcifer, qualquer nome que se vir a conhecer, há várias histórias, cada uma acrescentando características ao antagonista da mais bela história. Como nunca foi mencionado nada sobre a aparência dos anjos (e Lúcifer era um anjo, antes de ser expulso dos Céus), não podemos ter certeza sobre a cara do temerário.
Em uma análise particular (beeeeem particular), eu diria o seguinte: anjos não têm sexo nem aparência. Anjos representam sentimentos. Cada anjo dos céus representa um sentimento. Miguel, a coragem. Rafael, a esperança. Gabriel, o amor. Lúcifer costumava representar a inveja. Mas deixou ser consumido pelo sentimento que representava. Por isso foi expulso dos Céus, e, junto dele, foram todos os sentimentos negativos: avareza, ira, gula... ou seja, os sete Pecados Capitais. E por intermédio dele, os seres humanos absorveram esses sentimentos mais do que os celestes.
Hoje em dia, os seres humanos são tão preenchidos com esses sentimentos, que acabaram deixando de ser demoníacos e passaram a simplesmente humanos. Apenas um sentimento permanece demoníaco, e representa tudo o que os homens vêem no demônio, tudo o que sentem quando pensam na morte...

A face do demônio é o MEDO.

terça-feira, julho 27, 2010

Open your eyes...

Ultimamente tenho encucado com esta música, do Snow Patrol. Encantei-me realmente. Resolvi analisar a letra. É impressionante que poucas como essa banda escrevem tão bem, tão sucintamente e ao mesmo tempo, tão cheia de sentido.
Começando pelo título, é um convite para a percepção. Sair da cegueira para a plena visão. Sair da escuridão para a claridade. Da tristeza para a esperança.
Em uma superficial análise pelo todo da letra, há um certo desespero do eu-lírico, pois o tempo passa-se rápido, e ele quer que seu interlocutor, provavelmente uma mulher, acredite nas palavras dele, antes que seja tarde demais. Pede-a para abrir os olhos, ou seja, ver a verdade naquilo que ele está dizendo, para que assim, possam viver juntos. De algum modo, as mentiras que as pessoas contam podem estar separando os dois, por isso há tanta raiva e dor no eu-lírico.
Tudo parece estranho e irreal, pois mentes maliciosas a infectam com outras visões, visões que não condizem com o que acontece. Ele apenas quer ficar ao lado dela, quer que as feridas da indiferença com relação a ele se fechem e que possam sair daquela mentira de mãos dadas, para fazer aquilo que tanto queriam, mas eram impedidos.
Só ele entende o que ela sente, sua confusão e sua indecisão. Só ele entende também o seu potencial, sua vividez, e mais ainda, seu amor por ele. Sim, eles se amam mutuamente, mas ela está confusa, por causa do que dizem sobre ele. Ele só quer lhe contar a verdade, quer que ela olhe-o nos olhos e veja o que realmente sente por ela, que o que as pessoas falam não importam e que é melhor ela se afastar desses falsos amigos, antes que eles a voltem inteiramente contra ele.
Afinal, ele não quer perder um só momento com ela.

domingo, julho 25, 2010

Encarar a realidade

Vamos encarar. A realidade está presente à nossa volta! Não há escapatória, ela nos envolve como a escuridão. Porém, quem disse que tudo é real? Quem disse até que a escuridão é real?
Não há uma definição exata para esta palavra, realidade. Além disso, pelo meu conhecimento, há apenas duas palavras que não possuem significado definido: realidade e amor.
Realidade é aquilo que nossa mente supõe que é real. É o que nos rodeia, o que podemos tocar, contar, ver, cheirar, ouvir, estudar e lembrar. Muitas vezes acreditamos que algo é real só porque parece real. Nos enganamos muitas vezes. O ser humano é falho com relação à realidade. Aliás, o ser humano é falho com relação a tudo aquilo que não sabe definir. Tenta inventar desculpas para fugir da realidade, mas como fugir do que não existe? Apesar do incrível paradoxo, a REALIDADE NÃO É REAL, já que é algo inventado pelas nossas mentes. Confusão? Não, apenas a realidade nua e crua.
Há fatos relativos e há fatos inexistentes. Verdade é relativa, mas realidade é inexistente. Não se pode dizer que algo é real sem que se prove que é, ao mesmo tempo em que não se pode falar que algo não existe se não houverem provas ao contrário. Duas forças que se anulam. Inexiste. Verdade pode ser verdade para um, mas para o outro não, depende da situação, do ponto de vista e da noção. Não existem verdades indiscutíveis. O que existe é real, puro e indiscutível. Definição pra real? Não. Ponto de vista.

Afinal, a única coisa que é REAL é o AMOR.

sexta-feira, julho 23, 2010

Polígono irregular

Hipocrisia é ser quadrado e pensar que é perfeito. É ser círculo e pensar que não tem começo nem fim. É ser triângulo e pensar que é a forma mais resistente que existe.
Orgulham-se por ser um polígono ou por ter mais de 2 lados! São fechados, meticulosos e com ângulos perfeitos. Arrogantes com suas arestas iguais, seus vértices polidos e nem percebem que há outras formas em outros planos. Alfa, Beta ou Gama, não interessa! E não é só o pi que faz tua circunferência! Não é só √2 que forma tua diagonal! Há algo por trás das fórmulas rígidas e bidimensionais.
Porque ser diferente é um orgulho verdadeiro! Torne-se tridimensional e veja seu plano misturar-se com os outros! Ganhe profundidade e desista das formas perfeitas, seja um polígono irregular, não deixe retas transpassarem seus extremos e não se preocupem com o equilíbrio! Porque o centro de matéria não depende apenas da gravidade, depende de cada forma! Depende do próprio equilíbrio, o equilíbrio interior. Não deixe que réguas te façam tão facilmente, faça com que fervam a cabeça para te desvendar.

Afinal, tua forma que mais importa, nunca foi um triângulo, quadrado ou círculo...

quinta-feira, julho 22, 2010

3 segundos


Os olhos se encontram. O frio domina o estômago de ambos. O tremor está começando. As mãos estão entrelaçadas, tão juntas que parecem coladas. Ele faz o primeiro movimento. Os corpos se aproximam. A insegurança surge como uma descarga elétrica no cérebro dela. Não dá mais para voltar atrás. Os olhos já não se encaram mais. Agora transpassam a pupila e entram na alma um do outro. O contato já é inevitável. O coração, notavelmente, começa a acelerar. As maçãs do rosto dela já estão rubras demais, que nenhum rouge conseguiria este tom. Ao mesmo tempo da insegurança, não quer resistir. Está entregue ao destino iminente. Não consegue desviar o olhar. Não quer desviar o olhar. Ele tenta não apertar muito aquelas mãos tão suaves, mas dando-lhes suficiente segurança para mantê-las lá. Sente o doce perfume que provem dos cabelos enrolados e dourados daquela figura angélica. Aquilo lhe enfeitiça, deixa-lhe preso ali, no contato quente e confortável que a garota lhe causa. Os rostos estão muito próximos, o contato facial já é inevitável. O garoto sente sua mão suar. A garota percebe, mas não larga da mão dele. Não há mais necessidade de olhos abertos. Ambos sabem o que se seguirá. Fecham os olhos ao mesmo tempo, como se estivessem magicamente conectados. O garoto tomba a cabeça com suavidade. A garota nem se dá a esse trabalho. Não precisava. Sabia o que estava vindo... Se tombasse a cabeça poderia não ser perfeito. Ela queria que fosse perfeito. Neste momento cada sentimento parecia borbulhar cada um de seus neurônios, fazendo com que uma onda de calor e frio ao mesmo tempo a atingisse e percorresse seu corpo inteiro. O garoto tentava pensar em nada, para não perder o momento para outros pensamentos, dúvidas e sentimentos. Queria que aquilo fosse o primeiro ponto e o auge do que sentia por aquela bela garota. Sentia que isso definiria tudo dali pra frente, mas não queria pensar no "dali pra frente", apenas no "dali", ali e naquele instante, queria aproveitar os momentos únicos que tinha com ela, queria aproveitar o calor emanado do corpo macio e leve daquela pessoa que sempre admirara.

E os lábios se tocaram, depois dos 3 segundos mais eternos da vida de ambos.


quarta-feira, julho 21, 2010

Chega

É hora de mudar. Renovar. Dinamizar
Otimizar e agilizar. Informação é rápida, e às vezes, cansativa, se for tratada da maneira errada.
Confessemos que a forma de se apresentar este blog que lhes fala precisava há muito de uma renovada. Faço isso próximo a completar 5 meses de blog.
Hã? Como assim? 5 meses, SÓ? Parece que faz mais tempo. E sempre aquele visual demodê.
Agora é diferente... Quero novidades, e sempre estarei buscando melhorar meus textos para vosso bel-prazer.
Sinto muito, meus comentários sobre blogs tornaram-se escassos, mas as ideias não. Portanto, estabeleço: Cessarei com os comentários voluntários sobre blogs. Isso mesmo. Criatividade às vezes deixa de existir. Elogios não faltam. Acho que já expressei meu ponto de vista o suficiente para estes blogs que aqui estão representados. Não irei retirar nenhum comentário. Mas vou valorizar mais o meu lado compositor.
Posso surpreender um pouco quanto aos temas... Já ando surpreendendo, aliás. Os últimos textos fugiram um pouco dos temas que geralmente abordo. Mesmo assim, vou continuar a tratar sobre eles, já que agradou a alguns leitores.
É isso, gente. Um novo Soap Opera Novel, um novo mundo dos leitores, escritores e idealistas!

Peace All! (não, não vou parar com minha despedida rotineira)

segunda-feira, julho 19, 2010

Um coração que se preze


Contar-lhes-ei como é um coração que se preze. Se é que existe isso.
Um coração que se preze não é aquele que bate com-pas-sa-da-men-te lá por volta de 80 bpm, ou quaisquer outros termos técnicos. Coração é aquele que bate nos momentos certos, pelas pessoas certas. Coração é aquele que, mesmo coberto de veias e artérias, ainda guarda espaço para o sentimento.
Um coração que se preze não pode ficar encostado a um canto batendo ociosamente. Este coração largado um dia irá parar de bater, e a vida não mais existirá. Coração mesmo tem que ser servido quente e cheio... de sangue? Não exatamente.
Coração de verdade não é aquele "Esse dois" ou quaisquer variações de linguagem de internet, ou então aquele desenho bonitinho e vermelhinho. Aliás, o coração físico, o científico, só existe dentro de nós e está lá batendo, cheio de sangue, veias e artérias. Mas o coração de verdade, existe na imaginação de quem sente, sente emoções das mais variadas, mas intensas.
Quando você respira, o coração físico altera minimamente sua velocidade de batimento. Mas só quando você suspira por alguém é que o coração de verdade bate a mil por hora, quando você percebe que falar com tal pessoa é seu maior prazer em um dia ensolarado, no qual você poderia estar fazendo muitas coisas. Mas não... você está falando com aquela pessoa que faz com que seu coração bata. E, se bate, significa que você tem. E se você tem, esse coração sai de sua imaginação e passa a ditar o ritmo do seu coração físico, altera seu fluxo sanguíneo, ditar o ritmo do seu coração desenhado, passa a ter mais valor real, e, se o sentimento for verdadeiramente forte, dá pra perceber que o seu coração de verdade também dita o ritmo do coração de verdade da outra pessoa.

E então, nasce o amor.


quarta-feira, junho 30, 2010

Esperança...


Ele anda no meio da rua, apenas esperando. Um vento suave lhe percorre os cabelos já longos, por preguiça de cortá-los. Os olhos, fechados. A vida não lhe importava mais, nem seu terno branco, cuidadosamente engomado e alvejado. Mãos nos bolsos, apesar de não estar exatamente com frio ou por guardar algo neles, pois não o fazia. Não levava qualquer objeto com ele, a não ser o terno. Tinha mãos nos bolsos apenas pela inutilidade do estar. Estar, pois não era, estava. Não existia mais, ninguém mais se importava com sua presença, ou falta de presença. Apenas poucos utopistas ainda acreditavam nele. Mas já não contava mais a verdade. Não valia a pena detalhar quando ninguém mais o ouvia. Estava solitário, pois todos seus amigos haviam morrido, ou então passaram para o outro lado. Sua guerra era solitária, e sua trincheira era um buraco, o buraco em que se encontrava nesse momento. O fundo do poço. Um sorriso bobo lhe cortava a face, causando-lhe extrema dor ao ver as pessoas ao seu redor caçoando dele. Mas sorria, fingindo. Andava com o nariz empinado, realmente e inutilmente esperando. Esperando pela chuva, a limpar toda a maldade do mundo, que tudo pudesse ser verde de novo, ou que simplesmente, pudesse conviver com os seres humanos de novo. Ou isso, ou a morte certa, definida pelo tempo, já longo demais. Era um jovem resplandescente, o sorriso no rosto não era nem bobo nem cortante. Era um sorriso sincero, terminando em uma bochecha corada envolta por uma face límpida, seguindo-se olhos safira cristalinos, que frequentemente viam cachos dourados passando pela sua frente, quando ele corria. Corria despreocupado, sabendo que todos ainda acreditavam. Acreditavam em suas palavras simples e belas, e saía por aí espalhando sorrisos pelos rostos rabugentos e amargurados. Agora já estava cansado. Não olhava mais para os outros. Não queria ver os rostos felizes, mas mesmo se estivesse com os olhos abertos, não conseguiria. Era tudo desolação, era tudo tristeza. Mas o que ele não percebia, é que ele próprio estava causando toda essa depressão. O mundo estava quebrado por causa dele. Afinal, ele queria o suicídio, estava esperando mesmo era um baque, algo que tirasse sua respiração e que cessasse seus pulsos. Algo em sua direção, a alta velocidade. Ele para. Abre os braços. O terno balança ao vento. O mundo estava desenganado, pois mesmo o último que morre, a ESPERANÇA, já não vive mais.

sábado, junho 19, 2010

Bom é...

Bom é ser feliz, sempre encontrar um motivo pra sorrir mesmo quando todos eles deveriam te fazer chorar. É ouvir aquela música que acalma seu coração, ou aquela que te contagia de uma alegria imensa. Abrir os braços pra direção que o vento sopra sem medo que ele leve embora aquilo que temos de mais precioso, e que ninguém mais sabe seu verdadeiro valor além de você. Bom é ter a ousadia de tentar, a coragem de levantar quando cair e a sabedoria para lidar com coisas que nem se vivêssemos mil anos entenderíamos. A felicidade não consiste em ter uma família perfeita, muitos amigos à sua volta e muito menos em ter dinheiro. A felicidade consiste em ter uma família que te ame, em ter amigos de verdade, coisa que você não compraria mesmo se tivesse todo o dinheiro do mundo.
O tempo muda as coisas de lugar num piscar de olhos, não importa o que os outros pensam e falam, não importa o que as conseqüências que um erro pode trazer desde que você siga o seu coração e os seus princípios. Arrisque! Sorria! Chore! Apaixone-se! Ame! O valor das coisas não se resume no tempo em que elas duram, mas na intensidade em que acontecem. Saia com os amigos, eles nunca vão te abandonar pelo que você é. Com eles até os seus piores momentos trarão um sorriso ao seu rosto. Escreva o livro da sua vida como achar que deve, e não como te disserem que tem que ser, porque no final o que restam são histórias.

Vanessa Rotiroti

terça-feira, junho 15, 2010

Feriado Nacional

Hoje, justamente hoje, dia 15 de junho de 2010 é decretado Feriado Nacional. Feriado esse que com certeza é mais sagrado pro povo brasileiro do que Páscoa e Natal. Feriado que não inclui trocas de presentes, refeições fartas e uma porção de musiquinhas, apesar que conta com a reunião da família e amigos, orações e apenas UMA música, que é conhecida pela maioria dos brasileiros. Não requer rituais complexos, o único ritual é reservar 90 minutos do seu dia para sentar em uma sofá ou então numa cadeira e fixar os olhos em uma tela. E gritar de vez em quando.
Se você pensou, pensou e pensou e não conseguiu adivinhar que feriado é esse, revelo-te que trato do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de Futebol.
E vamos dizer que não se trata apenas do primeiro jogo, mas sim cada um dos jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo, segundo a maioria dos brasileiros, é digno de um Feriado Nacional. E não é à toa. O futebol é a modalidade esportiva preferida dos brasileiros e nosso povo gosta de acompanhar todos os jogos, sendo a nação festiva como é.
Falando em festividade, gostaria de destacar alguns pontos que percebi no dia de hoje. Primeiramente, o rebuliço. Impressionante como, estando encerradas as atividades acadêmicas e labutárias, as avenidas se enchem de carros, ônibus, caminhões, motos, etc., só para as pessoas terem tempo pra chegar em casa para assistir ao jogo. A lotação nos pontos de ônibus e nos ônibus é terrível. Mas brasileiro que é brasileiro adora contato físico.
Outro ponto: as conversas. Aliás, A conversa. Em dia de jogo do Brasil pela Copa, não há outro assunto nas ruas, nos ônibus ou seja onde quer que for. Pessoas vestidas de verde-e-amarelo, fazendo do ridículo o máximo para parecer patriota sem servir no Exército. Cornetas, matracas e buzinas enchem nossos ouvidos de poluição sonora e a animação é geral. Fogos de artifício rolam soltos, pessoas saem gritando e buzinando dentro dos carros. Um inferno de Dante.
Durante o jogo, incrível como já não se vêem mais pessoas pelas ruas, nem carros nas avenidas, a não ser aqueles atrasados que não conseguiram chegar em casa a tempo do início do jogo, o que, aliás, é um pecado capital nesta data. A sequência é lógica: Quando o Galvão Bueno falar "Rola a bola no estádio, começa o jogo!", fogos começam a ser disparados. Depois, um silêncio absoluto na sua rua, a não ser quando acontece algum lance de perigo ou então algum jogador faz algo de errado. Aí surgem os xingamentos, que não param até o final dos 90 minutos. Quando sai gol do Brasil, fogos são disparados e gritos entusiasmados são ouvidos. Quando sai gol do time adversário, saem mais xingamentos ainda. Quando acaba o jogo e o Brasil vence, fogos são disparados e gritos entusiasmados são ouvidos. Se ocorre empate, saem muitos xingamentos. Se o time adversário ganha, prepare-se para ouvir os piores palavrões que tu já ouviu na tua vida.
Jogo do Brasil é assim. Animação geral. Pergunto-me se em outros países que também são bons no futebol (Alemanha, Itália, Inglaterra, França...) também há toda esta festa. Creio que não. Mas afinal, o povo brasileiro prestigia mais a Cruz que está no brasão da CBF do que a Cruz de Jesus. Pense nisto.
Peace All!

segunda-feira, maio 24, 2010

Fenômeno


Ainda que do mais puro e doce mel provasse
Ainda que da vida nada mais se salvasse
Ainda que o vento, tão suave, me soprasse
Ainda não veria o Sol nascer em ti.

Ainda que o mundo jamais rodasse
Ainda que a folha jamais balançasse
Ainda que o mar jamais se revoltasse
Ainda não veria a Lua nascer em ti.

Ainda que o céu de negro se pintasse
Ainda que o Sol já não me esquentasse
Ainda que seu olhar pra mim voltasse
Ainda não veria um eclipse em ti.

Pois você é meu Sol, minha Lua, meu eclipse
O fenômeno mais belo, ainda que eu não visse
Ainda que meu coração não sentisse
O que sinto por ti.

segunda-feira, maio 10, 2010

Jogo de números

Ontem, domingo, como sou católico, fui à igreja, como toda semana. Até aí, normal. Por agora, muitos devem estar pensando: "O que esta postagem tem a ver com números?" e a resposta é simples: TUDO!
A função desta postagem é revelar (ou tentar revelar) a mensagem que está por trás dos textos bíblicos, ou melhor... A mensagem numérica que está presente na Bíblia.
Não quero ser herege nem muito menos fazer pouco caso da religião. Apenas tento mostrar o que percebi nestes anos todos de leituras no Novo e Antigo Testamento. Vamos lá.
Primeiramente, gostaria de destacar dois números que estão extremamente presentes nos nossos dias. E esses dois números são a base da explicação numérica da Bíblia. 3 e 4.
É inquestionável a presença do número 3 na nossa vida. É considerado o número da perfeição, tudo de mais perfeito na natureza tem como base o número 3. O triângulo, a forma considerada a mais primorosa das formas geométricas, tem 3 ângulos internos. O pi (π), base do cálculo de área e circunferência de círculos, começa com o número 3 (3,141592653...). Na Bíblia, temos o número 3 presente em muitos momentos. Primeiramente, a Santa Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), a Sagrada Família (Jesus, Maria e José), as 3 forças que movem a humanidade (o bem, o mal e a arbitrariedade humana), os 3 poderes divinos (Onipresença, Onipotência e Onisciência), os três Reis Magos (Belchior, Baltasar e Gaspar) entre outros...
O número 4 também está muito presente. Os 4 pontos cardeais, os 4 elementos da natureza, os 4 membros do corpo... Na Bíblia, este número aparece meio camuflado. Os 4 evangelistas (Matheus, Marcos, Lucas e João), os 4 seres vivos (mencionados em Ap 4,6; 7,1; 20,8), os 4 Cavaleiros do Apocalipse (O Anti-Cristo, Guerra, Fome e Morte), e também os derivados de 4, como os 40 anos que Moisés guiou seu povo para Israel,
os 40 dias e 40 noites de meditação de Jesus no deserto, entre outros.
Agora, o que eu queria chamar a atenção nesta postagem é a combinação desses 2 números, que formam toda a mensagem bíblica.
3+4=7. 7, o número mais perfeito de todos, considerado o número da sorte, o número de "vidas" de um gato. Está presente em várias superstições, mas na Bíblia tem um significado especial. As 7 cabeças do dragão encontrado pela Virgem no Apocalipse, os 7 dons do Espírito Santo, os 7 pedaços de alimento que se multiplicaram (5 pães e 2 peixes) mas principalmente, os 7 dias que Deus levou para criar tudo o que existe no mundo e descansar no sétimo dia.
3x4=12. 12 meses no ano. 12 horas separando o meio-dia da meia-noite. O número 12 controla o nosso tempo. Na Bíblia, controla número de pessoas e entidades. 12 apóstolos, 12 tribos de Judá... O número 12 também aparece muitas vezes no livro das Revelações ou Apocalipse. A Virgem com 12 estrelas sobre a cabeça... 12 x 12000 = 144000, o número das pessoas que serão salvas, etc...
Só que o mais importante da combinação dos números 3 e 4 está na subtração. 4-3=1. 1, o número supremo, o número divino. Apesar da Santa Trindade ser composta por 3 figuras, ela é apenas uma. Um único Deus governa céus e terras. Deus enviou seu filho primogênito (primeiro e único) para nos salvar.
Observando todos esses números e suas combinações, posso chegar à conclusão de que a Bíblia quer passar uma mensagem por trás de toda a bela história. Uma mensagem subliminar que os povos antigos queriam que só os inteligentes o suficiente conseguiriam descobrir.
Talvez, fazendo como Newton fez estudando a Sagrada Palavra, possamos descobrir os mistérios relacionados à religião, à fé, e, principalmente, a nós mesmos.
P.S.: Talvez, mais uma combinação, só para convencer: Data do Natal, quando Jesus teria nascido: 25 (2+5=7)/12 (3*4=12)
Peace All! (e reparem: Jesus concedeu sua paz aos apóstolos 3 vezes...)

quinta-feira, abril 22, 2010

O sucesso de GaGa


Que jogue a primeira pedra quem nunca quis ser famoso. Pois é. Até agora não recebi nenhuma pedrada. É fato que todos querem seus 15 minutos de fama. Mas o que intriga são as coisas que as pessoas fazem para conseguir a tão sonhada fama. Mas a que preço? É esse preço que a cantora Pop Stefani Joanne Angelina Germanotta, autodenominada Lady GaGa, quer mostrar para a humanidade.
Qual a chave do sucesso de Lady GaGa? Primeiramente, vamos reconhecer que a garota é uma nova Madonna em questão de fama. Começou a carreira em 2006, em 2008 já lançou dois hits mundiais, Just Dance, com parceria de ninguém menos que Akon, e Poker Face, no qual sua atitude inovadora e polêmica foi revelada. Agora, o que alavancou-a foi uma série de fatores. Primeiramente, sua voz estrondosamente forte, classificada como Contralto, o tom feminino mais forte, chegando a soar quase com a plenitude de uma voz masculina. Outro fator foi a apadrinhação de nomes improtantes da música mundial, assim como Akon, Beyoncé, entre outros. Sua música com batidas empolgantes, influenciadas pelo glam rock, assim como David Bowie e Queen e cantores Pop da década de 80, como Cher, Cyndi Lauper, Madonna e Michael Jackson. Mas a grande chave, o trunfo final de GaGa é, indiscutivelmente, a moda. Suas apresentações glamurosas, suas vestimentas fora do comum, sua total falta de impedimento de criar, inventar, inovar e testar publicamente, o que torna a figura de Lady GaGa, uma figura popular.
Diria que, acima de todos esses motivos supracitados, que a coragem é o grande elevador de GaGa. No VMA 2009, no qual ela estava concorrendo para o prêmio de artista revelação (e ganhou), ela protagonizou um dos shows ocorridos durante o evento. Passaram por lá também Green Day, Taylor Swift, Beyoncé, Pink, entre outros, mas o show de GaGa se destacou. A música: Paparazzi. A cena: um hospício. A polêmica: além das vestimentas exageradas, que é a marca de GaGa, houve um falso sangramento, que espantou a todos os espectadores. 2009 foi o ano espetacular para Lady GaGa. Após o lançamento de Love Game e Paparazzi, que fizeram enorme sucesso, chegou a vez do super hit da cantora: Bad Romance. Não sai das paradas de sucesso até hoje.
Em 2010, com a carreira já em alta, lançou dois hits com a cantora R&B Beyoncé. Primeiro, Videophone, Lady GaGa atuou como participação especial, sendo a música de autoria de Beyoncé. Neste mês, foi lançado "Telephone", e desta vez, Beyoncé é que faz o papel de participação. Este clipe (Telephone) é considerado o auge da provocação e da quebra de clichês de Lady GaGa, por passar maior parte do clipe apenas com as roupas de baixo.
Então, ao tentar resolver o enigma do sucesso relâmpago de Lady GaGa, concluo que a população atual quer novidade. Quer espetacularização. Tem o desejo da extravagância. Portanto, Lady Gaga é o que eu gosto de chamar de "Ridículo Grandioso".
Peace All!


sábado, abril 10, 2010

Toda criança vai pro céu

Esta história não é minha, uma amiga que costuma navegar em sites sobre fanfics me passou este texto que ela encontrou e eu achei prodigioso.
Confesso que fiquei com medo de crianças após ler isto. Mas gosto de ser influenciador e Master of Puppets. Então, divirtam-se e horrorizem-se com este texto!


Mamãe me disse que toda criança que morre de modo doloroso e violento vai para o céu, certo?
Ela me disse isso porque eu perguntei para ela quem vive no céu e como se chega lá. Eu queria saber por que queria levar todos do meu vilarejo para o céu!
Eu me chamo Anya e tenho 7 aninhos, moro em um vilarejo com poucas pessoas. Todos os meus amiguinhos são crianças boas e felizes. Eu quero que eles vão para o céu quando morrerem... Para isso eles têm que morrer de forma dolorosa e violenta.
Eu não posso pedir para ninguém fazer isso, pois eles são meus amiguinhos. Eu desejo que eles vão para o céu. Mas eles fizeram coisas erradas... Eles mataram um gatinho...
Minha mamãe disse que pessoas que matam nem que seja uma única mosca não podem ir pro céu...
Então eles não vão para o céu?
Mas... Eu quero que eles vão pro céu... Então eu vou ter que matá-los... E de forma dolorosa e violenta, certo?
Ai eu serei uma boa amiguinha, né?
Acho que sim.
Mas depois eu vou para o céu?
Eu marquei com eles para nos encontrarmos na floresta. Ainda não chegaram... Eu trouxe comigo o machado do papai, que ele usa para cortar lenha e cordas.
Meu amiguinhos chegaram, eu deixei o machado escondido atrás da pedra ao lado da árvore, e também o deixei camuflado pela neve. Coisas que meu papai havia me ensinado antes ir para a guerra. Eu amarrei meus amiguinhos na árvore. Eles acham que é uma brincadeira. Mas eu estou sendo uma boa amiguinha, levando eles para o céu.
Eu pego o machado, ele é pesado... Será que vou aguentar usar ele nos meus amiguinhos?
São ao todo 3 amiguinhos. Dois meninos e uma menina.
Ataco primeiro um dos meninos. Ataquei primeiro na barriga, mas ele ainda não morreu. Ele grita e chora, o sangue dele se esparrama pela neve. Levantando o machado com dificuldade eu o atinjo no pescoço. Ele foi para o céu.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
Minha amiguinha pergunta por que eu estou fazendo isso, eu digo que é para levá-los para o céu, quando digo isso, dou uma machadada em sua cabeça.
Outra lágrima escorre.
Só restou agora um menino, eu pego o machado e vou a sua direção.
Ele me agradece, agradece por eu estar levando ele para o céu.
Pego novamente o machado com dificuldade e atinjo seu pescoço.
Ele vai para o céu.
Outra lágrima percorre meu rosto.
Eu estou suja de sangue, mamãe vai ficar brava.
Novamente pego o machado com certa dificuldade, e começo a andar. Enquanto ando penso em tudo o que eu fiz e sorrio, levei meus amiguinhos para o céu. Eu fui uma boa amiga. Mas os papais e mamães deles vão ficar tristes porque nunca mais vão vê-los, mas eles foram para o céu. Então acho que eles vão ficar felizes. Enquanto estava distraída eu me perdi. Por mais que eu andasse não achava a o caminho de volta então tropecei. Eu não havia percebido o barranco.
O machado fugiu de minhas mãos.
O barranco é grande e cheio de pedras, eu estou toda ferida. Dói muito. O machado havia sumido. Meus olhos o procuram. Eu sinto algo puxar meus cabelos com força. Um homem. Mas ele não é do vilarejo, ele tem cara de quem está com frio e com fome. Deve ter se perdido como eu, mas será que ele vai cuidar de mim?
Ele me arrasta um pouco e vai à direção do barranco. Ele volta, e está com o machado. Ele se aproxima de mim, e me ataca com o machado no meu peito.
Eu vou para o céu, certo?